terça-feira, 30 de outubro de 2012

GUERRA É GUERRA

            Alcançou boa repercussão no cenário mineiro a notícia de que o governador Antonio Anastasia decidiu reagir à política de concessão de benefícios tributários praticada por Rio e Janeiro, Paraná, Santa Catarina, Tocantins e outras unidades federativas.
            Em clima de guerra fiscal, esses estados estariam reduzindo o Imposto de Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) de vários artigos, o que torna os produtos de Minas mais caros e menos competitivos.                       
            Para contornar o problema, Anastasia encaminhou à Assembleia Legislativa mensagens que contemplam a criação de Regimes de Tributação Especiais para o ICMS, abrangendo onze setores ou itens fabricados em Minas. Ele acredita que isso atrairá muitas empresas, gerando empregos e desenvolvimento.
            A iniciativa não é nova. Em 2009, quando governador, também Aécio Neves reduziu o ICMS e concedeu a novas indústrias benefícios fiscais semelhantes aos dados por outros estados. Naquela época, a medida foi uma resposta à política do Rio de Janeiro, que, amparado na chamada Lei Rosinha, havia feito grande abatimento de alíquotas, atraindo para terras fluminenses empresas alojadas em território mineiro.
            Explicando-se, Aécio disse que “tomei uma decisão política de reação. Não poderia permitir que essa perversa guerra fiscal continuasse tirando empresas e empregos de Minas, em especial da Zona da Mata”.
            O fato é que a concessão de benefícios fiscais é arma a que todo administrador público costuma recorrer. Há sempre uma saída, um pretexto para acioná-la, mesmo quando pouco ortodoxa ou irregular.
            Os incentivos, especialmente os tributários, são a moeda de troca utilizada pelos que se interessam por investimentos. Sua vantagem é que, a rigor, não acarreta perda de receita, graças à vinda de outras empresas para o território abrangido. A queda de arrecadação acaba sendo compensada pelo incremento na circulação de mercadorias, afora o ganho na geração de empregos, rendas e desenvolvimento.
            A existência de leis reguladoras desse instrumento proporciona benefícios recíprocos. Vai ao encontro dos anseios das comunidades desejosas de progresso e dos empresários que pretendem alavancar seus negócios, com vantagens para todos.
            Tudo faz crer que a atitude de Anastasia terá sucesso; não há razão para imaginar o contrário. Dela deverão se aproveitar os municípios mais bem preparados para conservar os atuais e receber novos empreendimentos. Isso inclui boa estrutura urbana, além de representatividade econômica, social e política coesa, disposta a lutar por uma fatia do bolo. Mas o que pesará, mesmo, é a vontade política de fazer concessões, de dar, para receber. Lembrando que o tempo corre célere e que há sempre um concorrente ágil, mais dado a generosidades. Mãos à obra!

ÁGUA DA FUZARCA


            A contaminação da água do Rio Doce voltou a incomodar. O problema permanece insolúvel, e há indícios de que poderá repetir-se, indefinidamente.
Por mais que atestem a boa qualidade do produto, ninguém se dá por convencido. Até porque o odor e o sabor continuam diferentes e inaceitáveis, dificultando seu consumo e provocando justificadas preocupações em relação aos efeitos colaterais que dele poderão advir.
Na avaliação cotidiana, ora ela tem cheiro de gambá, ora de rato morto, ora de gambá que comeu rato morto; não há consenso.
Nos lares, hospitais, consultórios, restaurantes, bares, hotéis, escritórios, na Casa da Mãe Joana, onde quer que seja, a repulsa e o receio são constantes. 
 Quem tem alternativa não a bebe, não a utiliza no preparo de alimentos, no banho ou em outras formas de higiene pessoal, nem mesmo na lavagem de roupas. Os mais exagerados chegam a ponto de usar água mineral na limpeza de carros, temendo manchas na pintura. Isso apesar dos vários pronunciamentos oficiais, afirmando que, depois de tratado, o líquido não oferece risco à saúde.
O que importa, entretanto, é a opinião pública, a voz do povo. E ela está dividida entre os que imaginam ser a água imprópria para o consumo e os que têm absoluta certeza disso.
A corrente mais otimista entende que há exagero: os males não irão além de uma forte diarreia, acompanhada de vômitos, desidratação, dores de cabeça e febre convulsiva, tudo besteira. Doença mais grave só aconteceria após o décimo mês de consumo ininterrupto.   
Os pessimistas, entretanto, não têm dúvidas de que há risco de gastrite crônica, cálculos renais, doenças hepáticas, envolvimento na política, conversão evangélica, et cetera. Mas se animam quando ouvem dizer que, no caso de improváveis tumores, só o estômago, o pâncreas, o fígado, a consciência, a competência e algumas outras partes menos importantes seriam atingidas.
Reafirmando a velha crença popular, parece estar surgindo uma luz no fim do túnel, que não seria uma locomotiva em sentido contrário.
Depois de consultados até técnicos da Nasa, alguém sugeriu fosse uma amostra da água enviada ao Doutor Dráuzio Varella, o especialista em generalidades que, além de desvendar os mais intrincados mistérios, tem conseguido milagres do tipo livrar fumantes do vício ou fazer com que ativistas do GLS retornem ao armário.
O gênio global já teria emitido seu relatório, ainda guardado sob sete chaves. É que, segundo bisbilhoteiros fidedignos, o diagnóstico foi mais surpreendente do se imaginava. O líquido, como está, pode realmente comprometer algumas partes do organismo humano, mas não os órgãos sexuais.
Além disso, ajudaria no combate ao alcoolismo, o tabagismo e a obesidade, na medida em que descontrola o paladar e o olfato dos consumidores, inibindo o uso de bebidas, cigarros e alimentos.
Mas a grande revelação, motivo do sigilo em torno das conclusões do Doutor Varella, é que a água, nas condições em que se encontra, teria predicados afrodisíacos, com efeito em ambos os sexos.
A divulgação só aconteceria a partir do momento em que o abastecimento estivesse normalizado. De preferência na temporada de férias, quando todos estarão ávidos por aquecer a libido e turbinar o desempenho sexual. A essa altura, já estrategicamente estocada, a água enriquecida por cianobactérias seria lançada no mercado, em garrafas coincidentemente “azuis”. Tudo para salvar os carentes de tesão, garantir a satisfação de quem curte o prazer, e fazer a alegria de muitos vendedores.
Melhor que seja verdade!

Texto publicado na revista
"Mais Mais PERFIL Acontecimento"
Edição de Outubro/2012
 

domingo, 21 de outubro de 2012

AJUSTANDO O RELÓGIO


            Grande parte do território nacional amanheceu sob novo horário. Sessenta minutos foram perdidos após a meia-noite.
            Hoje utilizado por cerca de 30 nações, o horário de verão teve sua origem na Inglaterra (1907), embora o primeiro país a adotá-lo tenha sido a Alemanha (1916). Em pleno conflito mundial, a economia de energia foi considerada importante esforço de guerra, diminuindo o consumo de carvão, principal fonte energética da época.
            No Brasil foi instituído em 1931, por Getúlio Vargas, mas só após 1985 tem ocorrido sem interrupção, nos estados do Sul, Sudeste e Centro-Oeste.
            Em 2008 estabeleceu-se que a mudança de horário – antes definida por decretos anuais – acontecerá invariavelmente no terceiro domingo de outubro e terminará no terceiro domingo de fevereiro, a menos que coincida com o carnaval, quando o encerramento será adiado para o domingo seguinte.
            Sempre que colocada em prática, a medida volta a polarizar as opiniões em torno de sua conveniência e eficácia. Poucos se mostram favoráveis, enquanto a grande maioria se divide entre os que não gostam, os que odeiam e os que gostariam de “exterminar” os responsáveis por sua adoção.
            Para os opositores, o horário de verão só convém aos políticos, aos servidores públicos do alto escalão, aos aposentados, aos genros de sogro rico e aos malandros que não têm hora para sair da cama, entre outros.
            Os que cedo iniciam sua jornada de trabalho, os estudantes do turno matinal, seus pais, os que curtem a noite mas têm obrigações na manhã seguinte, estão entre os que mais abominam a medida.
            O grande questionamento tem sido em relação ao seu custo/benefício, ou seja, se a economia de energia justifica os transtornos causados à população.
            Segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) – entidade responsável pela área –, a motivação para adotar esse instrumento no Brasil é a segurança do sistema, não predominando a economia de energia elétrica.
            No verão eleva-se o consumo, sobretudo em torno das 18 horas, quando as pessoas voltam aos seus lares e ligam luzes, televisores, chuveiros, etc., no momento em que a iluminação pública também é acionada. Esse súbito aumento da demanda pode desestabilizar o sistema elétrico.
            Com a iluminação natural ainda presente, o horário de verão permite que a entrada da iluminação pública seja retardada, de forma a não coincidir com a chegada das pessoas em casa, após o trabalho. Assim, o aumento da demanda se dá de forma mais gradual, melhorando a segurança do sistema, esclarece o ONS.
            Explicações à parte, o novo horário está em vigor e, gostando ou não, com ele teremos de conviver até zero hora de 17.02.2013.
            Ainda bem que, segundo velho ditado, “Deus ajuda quem cedo madruga”. Já é um consolo!

sábado, 13 de outubro de 2012

EMBLEMAS E VERDUGOS

      

            Um resultado que não seja bem analisado jamais contribuirá para o aperfeiçoamento do que se fez de positivo, ou para que se evitem as falhas cometidas.
            A reflexão vale para as mais diversas empreitadas, sobretudo aquelas que se repetem periodicamente.
            As últimas eleições municipais se inserem nesse contexto.
           Do modo como aconteceram, ficou claro que nossos políticos ainda têm muito que apreender.
Pra começar, viu-se uma oposição desarticulada, fragmentada, que pouco evoluiu na forma de competir. Permaneceu presa a um processo anacrônico, onde a vaidade e o orgulho prevaleceram sobre a inteligência e o bom senso. De forma egoísta, preferiu decompor-se em vários grupos concorrentes, a aglutinar-se em torno de um nome capaz de polarizar; e esse nome mostrou que existia. A consequência foi um canibalismo selvagem, desmedido e predatório, na disputa da mesma fatia do eleitorado. Sem segundo turno, o resultado só poderia ser o naufrágio melancólico e solidário. Bom para a prefeita Elisa Costa, que, graças à fidelidade de boa parte de seu eleitorado, obteve previsível e inédita reeleição. Não foi tão bem votada quanto no pleito anterior, mas venceu; é o que importa!
Não menos emblemáticos foram os quase 53 mil eleitores que votaram em branco, anularam seus votos ou simplesmente deixaram de comparecer às urnas, com abstenções em torno de 45 mil. O total é superior à votação alcançada por quaisquer dos candidatos, denotando que a maioria reprovou todos eles.
Outro aspecto marcante foi a renovação no plantel da Câmara Municipal. O eleitor preferiu escalar novos valores, esperançoso de acabar com a apatia, o comodismo e a ineficiência a que se entregou o legislativo. E parece que o critério surtirá efeito. Há novatos dignos de confiança, em meio a veteranos de boa qualidade; a miscelânea promete.
A grande lição, entretanto, ficou por conta das promessas de campanha.
Pelo visto, há unanimidade em torno das necessidades locais, concentradas nas áreas de saúde, educação, saneamento, segurança, transporte e desenvolvimento. Todos assumiram compromissos nesse sentido, acenando com ideias e soluções que não raro dependerão de outras instâncias governamentais.
            A permanência no poder costuma favorecer o alcance de metas. Evita trocas de equipes, mudanças de orientação e outros caprichos capazes de prejudicar a continuidade das ações em andamento.  No caso local, ela tende a se tornar mais positiva, dado o vínculo da administração com o Governo Federal e seu aparente bom relacionamento com o Executivo mineiro. Resta verificar se os compromissos de agora serão honrados, ou voltarão como juras de campanha, nas eleições de 2014.
            Um velho provérbio português ensina que “três vezes na cadeias é sinal de forca”. Só nos faltam carrascos especializados!

sábado, 6 de outubro de 2012

DE FRENTE COM A URNA


          Abominadas por uns, ignoradas por outros, mas prestigiadas pela maioria, as eleições continuam sendo o grande ponto de convergência da opinião pública.
É a forma democrática pela qual alguns membros da sociedade são escolhidos para exercerem o poder que lhes é outorgado pelo povo, através do voto.
            Mesmo nos países onde o voto é facultativo, elas mobilizam as atenções populares, envolvendo acirradas disputas.
            No Brasil, se repetem a cada dois anos pares, ora para Presidente, Governadores Deputados e Senadores, ora para Prefeitos e Vereadores. Acontecem no primeiro domingo de outubro e, havendo segundo turno, no último domingo do mês.
            O voto é facultativo para os analfabetos, os maiores de 70 anos e para os que têm entre 16 e de 18 anos. Para os demais cidadãos é obrigatório.
            A partir do Século XVI, quando aconteceram no país as primeiras eleições, o corpo eleitoral sofreu significativas modificações. A principal seria o voto feminino, admitido a partir de 1932, na Era Vargas, depois de incansáveis lutas pela sua obtenção. Também significativo foi o direito de votar que os maiores de dezesseis anos conquistaram em 1988.
            O grande marco contemporâneo, entretanto, foram as eleições diretas realizadas em 1989, após mais de duas décadas de regime militar, época do sufrágio indireto.
            Em termos de comportamento, o processo político que deságua no referendo popular nem tanto evoluiu. Pelo contrário, parece que retrocedeu em relação às práticas passadas, quando havia um mínimo de coerência e idealismo no modo de agir dos candidatos e seus partidos.
            Nos tempos atuais, ninguém percebe que a atividade política só tem razão de ser se o candidato, no afã de alcançar o poder, demonstrar que pode desenvolver ações voltadas para o interesse público.
            Por isso, chegada a hora do pleito, muitos pensam em votar em branco, anular voto ou simplesmente não comparecer. É a forma de se rebelar contra as promessas enganosas, a incompetência, a falta de idealismo, o fisiologismo, as baixaria e outras excrescências constatadas durante a campanha eleitoral.
            Seria essa a decisão mais sensata, não fosse o risco de transformar-se naquilo que os contraventores da vida pública mais desejam. Na omissão dos que podem julgar se sustenta a vitória dos não merecem, sequer, a chance de concorrer.
            As eleições oferecem preciosa oportunidade de exercer-se a cidadania, e ninguém deve abdicar a esse direito. A legitimidade do processo político só será alcançada com a participação de todos.
            Além disso, segundo o célebre filósofo Platão, “o castigo dos bons que não fazem política é ser governados pelos maus”. Palavras de sábio!

sábado, 29 de setembro de 2012

RETA FINAL


Após exaustiva temporada de comícios, carreatas, passeatas, debates, horários políticos e outros incômodos, as eleições municipais entram na sua fase decisiva. Começa hoje a semana do vai ou racha, nas cidades que ainda não têm o privilégio do segundo turno. Entre elas Governador Valadares, onde o cenário seria perfeito para outra rodada. Mas ela não acontecerá, para tristeza do segundo colocado.
             Até agora, em termos locais, a campanha transcorreu de forma relativamente tranquila, apesar de algumas baixarias inerentes ao processo. Talvez porque os principais candidatos estejam razoavelmente nivelados em qualidades, promessas e preferência.
            Nada garante, entretanto, que esse clima perdure até o dia da votação. Na reta final, a luta pelo voto se torna mais aguerrida, abrindo espaço para um vale tudo nem sempre dos mais limpos.
Ninguém conhece as últimas cartas que todo candidato mantém na manga ou no bolso do colete. Entre elas a proibida – mas sempre praticada – “boca de urna”, já responsável por grandes “viradas” de última hora.
O momento eleitoral traz a esperança de renovação, de novas caras, novas ideias, novos projetos.
Entretanto, pelo que se viu durante a campanha, não são grandes as perspectivas de mudanças em razão das eleições do próximo domingo.
Mais uma vez, no geral, os candidatos estiveram empenhados em maquiar a realidade, para conquistar eleitores.
Ninguém exibiu um projeto de impacto, consistente, praticável e capaz de empolgar. O que mais se ouviu foram promessas repetitivas de ações pelas quais muitos já se comprometeram, nada fizeram e pedem outros quatro anos para realizar.
A esperteza, a retórica e o melhor marketing se destacaram mais que traços de seriedade e competência político-administrativa.
No corpo a corpo com o eleitorado, sobraram a cara de pau e a embromação que muitas vezes se escondem na falsidade de um abraço ou de um aperto de mãos.
Aproxima-se o momento da escolha. A chance de o cidadão agir com independência, soberania e, sobretudo, discernimento.
Sem se iludir com as qualidades proclamadas pelos candidatos, o eleitor deve apurar seu faro, para identificar os merecedores de voto.  Nada de prestigiar tarjas pretas, desocupados e oportunistas que tentam ou já conseguiram transformar o mandato político em “boca” vitalícia; é hora de renovar.
Existem os dignos de crédito, gente boa, bem intencionada e comprometida com o interesse público. Formam uma minoria, mas, com atenção e senso crítico, há como identificá-los. Vote neles!

sábado, 22 de setembro de 2012

FESTIVAL DE SUCESSOS


           Nunca antes na história deste país a opinião pública ficou dividida entre tantas emoções. É como se todos estivessem num grande auditório, assistindo a diferentes e simultâneas atrações.
            A novela “Avenida Brasil” é um dos marcos. O quebra-pau entre Carminha e Nina tornou-se mais atraente que a disputa entre Obama e Romney.
            Outro que desperta muita atenção é o pleito municipal. Nem tanto pela farta pobreza do horário político ou pelo obscuro brilhantismo dos candidatos. O que deixa a turma “ligadona” é a surpreendente mesmice com que se desenrola, somada aos originais incômodos de sempre. Cartazes de candidatos, mal posicionados em esquinas, prejudicam os transeuntes e dificultam a visão dos motoristas. Carros de som invadem ruas e avenidas, atrapalhando o trânsito e agredindo os mais resistentes tímpanos. Nos comícios e passeatas predominam militantes remunerados, posando de simpatizantes, e engarrafamentos que não traduzem adesão popular.
            Destaque tem sido também a Seleção Canarinho. Com clássica mediocridade, vem colecionando entusiásticas vaias, tipo as que lhe foram dadas no último jogo contra a Argentina. E há grande chance de o técnico Mano Menezes seguir prestigiado, caso os argentinos vençam a próxima partida (03/10); Felipão que o diga!
            O escândalo Cachoeira foi pro vinagrete. Parece que a CPI incumbida de apurá-lo achou melhor trancar as comportas, até após as eleições. Uma criticada forma de reduzir a turbulência da catarata em que podem se afogar muitos políticos. Mas, de olho no lance, o povo cobra a normalização dos trabalhos e a indicação dos ilustres culpados.
            O campeão de audiência, entretanto, continua sendo o julgamento do “mensalão”, no Supremo Tribunal Federal (STF). É onde, sob olhares suplicantes, renasce a esperança de um Brasil afinal disposto a julgar e punir os responsáveis pela corrupção que o devasta. Ali a justiça permanece cega, mas a maioria dos ministros não tem fechado os olhos diante dos delitos atribuídos aos réus. Muitas condenações já aconteceram e outras tantas são aguardadas.
            Turbinando esse festival de sucessos, outro espetáculo entrou em cartaz. Uma inconfidência atribuída ao empresário Marcos Valério colocou Lula no epicentro do rumoroso “mensalão”. Segundo veiculado pela revista Veja, o operador do esquema teria dito que o ex-presidente "era o chefe" e "comandava tudo". Acrescentou que “não podem condenar apenas mequetrefes. Só não sobrou para o Lula porque eu, o Delúbio (Soares), e o Zé (José Dirceu) não falamos".
            Uma vez que isso não foi confirmado ou contestado à altura, fica “tudo como dantes no quartel de Abrantes”.
            De concreto, só a convicta dúvida se Lula foi alça de caneca ou salsicha de cachorro quente, no banquete do escândalo. Coisa que as autoridades podem e devem apurar ... com lupa.