domingo, 19 de outubro de 2014

DEBATES AO MOLHO PARDO

O primeiro debate político na TV aconteceu em 1960, entre Richard Nixon e John Kennedy, que, à época, disputavam a presidência dos Estados Unidos.
Desde então, virou costume universal, capaz de influir decisivamente no resultado de uma eleição.
No Brasil, ganhou popularidade nas eleições presidenciais de 1989, quando Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Collor de Mello, já finalistas, quase se engalfinharam diante das câmaras. Protagonizaram dois antológicos confrontos, marcados pela baixaria e por ataques pessoais. Tudo mostrado ao vivo e a cores, por uma cadeia de emissoras formada por Globo, Bandeirantes, Manchete e SBT.  
Depois disso, os debates adquiriram crescente e indiscutível importância.
Na atualidade, são bem mais atraentes e influentes do que as apresentações no horário eleitoral gratuito, o que nem tanto mérito lhes confere, diante da mediocridade do programa obrigatório.
Ao pé da letra, debates são discussões amigáveis entre duas ou mais pessoas que queiram expor suas ideias ou discordar das demais, sempre tentando impor seu ponto de vista ou sendo convencidas pelas opiniões opostas. Costumam ser longos e às vezes não levam a conclusões. Mas são práticas saudáveis, que permitem que sejam apreciados vários ângulos de uma mesma questão. Podem abranger diferentes temas, inclusive futebol, política e religião. De modo geral, os debatedores são concisos e miram a troca de ideias, sem ofensas recíprocas.
O que se vê nas Eleições 2014 está bem longe desse civilizado conceito: os debates se transformaram em contendas em que a ética, o respeito e as ideias foram para o espaço.
Na primeira parte da campanha, os candidatos ainda se respeitaram um pouco mais. Nem tanto por consideração, mais pela preocupação em não inviabilizar possíveis acordos no segundo turno.
Entretanto, desde o momento em que a disputa ficou entre Aécio Neves e Dilma Rousseff, os dois colocaram as garras de fora e partiram pro vale-tudo.
O debate promovido pela TV Bandeirantes, repleto de acusações de corrupção e nepotismo, foi logo comparado com uma sangrenta luta de UFC. Pensava-se que Dilma levaria um “chocolate” de Aécio. Isso não aconteceu. Acuada no início, ela conseguiu reagir e foi para o contra-ataque. Ao final, arrancou “glorioso” empate, que, para o tucano, teve certo gosto de derrota.
No segundo confronto, levado ao ar pelo SBT, prevaleceu a troca de farpas entre os candidatos a respeito das denúncias de corrupção envolvendo seus partidos. Mas o resultado foi diferente. Dessa feita, na análise do jornalista Ricardo Noblat, “Aécio impôs sua agenda, rebateu os ataques de Dilma, com calma, lógica e argumentos bem pensados, e foi impiedoso”. Referindo-se ao mal-estar que a presidente sofreu no final, Noblat concluiu: “Ela saiu nocauteada, não é força de expressão”.
Embora não envolvendo discussões mais aprofundadas acerca dos grandes temas de interesse nacional, os debates, (ou embates, como queiram) não parecem muito fora do agrado popular.

Não são poucos os indícios de que, no fundo, o brasileiro gosta mesmo é de “ver sangue”. Até o famoso “paz e amor” lhe parece mais gostoso quando ao molho pardo. A dúvida é se vale a pena mudar essa tendência.

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sábado, 11 de outubro de 2014

CONTINUAR OU MUDAR, EIS A QUESTÃO

            Uma análise mais isenta e menos passional mostra que o resultado da eleição presidencial, no primeiro turno, não foi tão atípico quanto muitos insistem em propalar.
            Avaliado com frieza e naturalidade, o produto das urnas foi exatamente o esperado, desde quando os concorrentes se tornaram conhecidos.
            Por mais que os políticos falem em surpresas e decepções, estava “escrito nas estrelas” que, no segundo turno, a disputa seria entre Dilma Rousseff e Aécio Neves. As chances de Eduardo Campos eram mínimas, mesmo sendo ele a terceira via que poderia sepultar a polarização entre PT e PSDB, há 12 anos impingida aos brasileiros.
            A campanha transcorria numa malemolência digna de fazer inveja às obras de transposição do Rio São Francisco.
            De repente, a morte de Eduardo Campos e o consequente surgimento de Marina Silva agitaram a disputa. Tiveram o efeito de queda de barreira, numa pista até então tranquilamente transitável.  O jeito foi encarar trilhas tortuosas e acidentadas, próprias para “rally”, que levariam ao mesmo destino, mas sob condições muito mais difíceis. O planejamento foi pro ralo.
            Cheia de gás, e inflada pela comoção da tragédia acontecida com Campos, Marina “bombou”, logo na primeira pesquisa em que entrou no páreo. Desbancou Aécio Neves, e já apareceu como vencedora de um eventual segundo turno.
            Tudo fogo de palha. A candidata seringueira subiu como um foguete e despencou como um meteoro.
            No frigir dos ovos, prevaleceu a lógica: Dilma x Aécio; briga de “cachorro grande”.
            A tradicional e decepcionante surpresa está debitada aos institutos de pesquisa. Por incompetência ou por razões inconfessáveis, eles mais uma vez “pisaram na bola”, exibindo números irreais. Entre outros equívocos (?!), passaram todo o tempo mostrando que Dilma mantinha sobre Aécio uma vantagem bem maior do que a finalmente apurada.
            Agora, limitada a dois os candidatos, a escolha é mais fácil.
            Escaldado das demagogias e inverdades que lhe empurraram goela a baixo no primeiro turno, o eleitor adquiriu melhor condição de escolher entre a continuidade, personificada por Dilma, e a renovação, encarnada por Aécio.  
            As primeiras pesquisas publicadas nesta nova etapa mostram uma disputa equilibrada, com viés de crescimento para o candidato mineiro.
            Outros cenários, entretanto, podem e devem surgir.
            O momento é de ficar atento aos lances, em busca de dados que permitam formar juízo próprio. Lembrando que pesquisa, mesmo quando séria, só acerta quando erra pouco.
 
- Jornal de Domingo

domingo, 5 de outubro de 2014

RECEITA CASEIRA

            A força política de uma cidade não é obra do acaso, não surge num passe de mágica.
Na sua essência, é o auspicioso resultado uma conjugação de idéias e esforços, em torno de metas perseguidas pelo grupo. Ela vem no mesmo comboio em que viajam o idealismo, o respeito às tradições e o espírito de união. Onde também trafegam o orgulho de pertencer à comunidade e o saber valorizar as lideranças locais, afora outras virtudes que precisam ser cultivadas e, sobretudo, praticadas.
            Ao longo de sua história, Valadares tem ressentido de uma representatividade política mais expressiva, coesa e vigorosa o bastante para se impor e batalhar com êxito por suas aspirações.
            Várias e importantes conquistas estão contabilizadas, todas dignas de aplausos.  Muitas, entretanto, deixaram de acontecer, não por desinteresse ou falta de empenho, sim devido à insuficiência de prestígio político.
Até hoje, por exemplo, o município não conquistou a sonhada grande empresa que daria mais sustentação e dinamismo à sua economia. Também não viu a chegada do gasoduto há muito prometido, que agregaria mais atrativos ao seu perfil empresarial. Isso sem contar a carência de serviços aéreos e de um aeroporto à altura do que necessitam a comunidade e aqueles que alimentariam algum projeto em relação à cidade.
A rigor, nem mesmo a duplicação da BR-381pode ser tida como vitória consumada. Pelo menos de início, as duas raias só existirão entre Belo Horizonte e Belo Oriente. Daí pra cá, apenas melhoramentos na pista única existente, decisão absolutamente discriminatória e desrespeitosa para com Valadares. Após muita grita, há juras de que a mancada será corrigida. Se a promessa será cumprida, só o tempo e as urnas dirão.
Não é justo, porém, centrar nos homens públicos a responsabilidade por esse contexto.  Seriam eles os maiores, mas não os únicos culpados.
Também a comunidade tem muito a ver com a questão. Afinal, é ela quem sufraga seus mandatários públicos. Entre eles forasteiros, que, em época de eleições, se apresentam como guardiões dos interesses locais, prometendo mundos e fundos. Conquistam preciosos votos, depois se mandam, deixando o povo a ver navios.
O “pepino” sobra para os políticos “caseiros”, que, salvo honrosas exceções, sem grande talento, sem cacife e sem união, pouco ou nada podem fazer.
As eleições acontecem neste domingo. É a nova chance de essa lamentável situação ser revertida ou, pelo menos,  minimizada.
É verdade que o eleitor se sente cada vez mais desmotivado. Não que esteja brigado com as urnas ou renunciando ao direito de escolher seus representantes. Mas está farto de ter que optar entre o ruim e o pior, dilema cada vez mais presente nas eleições.
Valadares, porém, não parece tão atolada nesse imbróglio.
Para este pleito, há aqui bons candidatos que são da terra, por berço, adoção ou afinidade. Excluídos os “malas”, sobra muita gente boa. Gente conhecida, tradicional, séria e bem intencionada. Gente dedicada e batalhadora, que, apesar dos obstáculos, já mostrou serviços e pode fazer mais pela cidade.
Se o eleitor quiser zelar para que haja uma representação política autêntica, robusta e comprometida com os anseios valadarenses, a receita é prestigiar os “prata-da-casa”. Nada de dar boa vida a alienígenas oportunistas, que só aparecem na hora de garimpar votos.  
Repaginando o velho ditado popular, poder-se-ia dizer que Santo de casa não faz milagres, exceto alguns que só ele consegue praticar. Convém acreditar!

- Revista “Mais Mais PERFIL”


sábado, 27 de setembro de 2014

AGONIA DAS ÁGUAS

                Teria sido a gota d’água que faltava para “entornar o caldo”. Mas, quando a nascente do Rio São Francisco secou, nem mesmo esse pingo remanesceu, para simbolizar a gravidade da situação.
O inédito fenômeno pode ainda não representar séria ameaça ao Velho Chico, pois outros rios e riachos o abastecem. Contudo, segundo o analista ambiental Vicente de Paulo Faria, "ele simboliza que a mudança climática é um fato, e que a gente tem que se preocupar com isso, os governos têm que se preocupar com isso”.
E não se trata de caso isolado. Em mais regiões do país, mananciais agonizam, sob a ação insana e deletéria do homem. O grande exemplo está em São Paulo. Na terra dos bandeirantes, após muitos anos de poluição, o famoso Rio Tietê tornou-se um megaesgoto a céu aberto. Como consequência, o sistema Cantareira, que abastece a capital e vários outros municípios paulistanos, está à beira do colapso.
Nesta região, o Rio Doce está assustadoramente abaixo do nível desejável. Segundo a Companhia de Pesquisas em Recursos Minerais (CPRM), trata-se de uma das piores secas sofridas nos últimos 70 anos. As comunidades ribeirinhas vêm sendo severamente castigadas.
Em Valadares, o problema se faz sentir na sua plenitude. Já há registro de desabastecimento na periferia e em outros pontos, inclusive na área central.
O Serviço Autônomo de Água e Esgoto (Saae) diz estar adotando todas as providências ao seu alcance, para garantir o fornecimento. A situação, porém, é preocupante.
A escassez de água é natural em qualquer localidade. Muitos fatores contribuem para que ocorra. Entre eles, a falta de chuvas, o aumento do consumo provocado pelo crescimento demográfico, e o desperdício.
Os dois primeiros são incontroláveis, mas o último pode ser eliminado, com ajuda do povo e rigorosa fiscalização por parte do poder público.
É o que precisa acontecer em Valadares, na intensidade que a circunstância exige.
           Basta uma ligeira caminhada pela cidade, para constatar a indiferença de certas pessoas, empresas e até órgãos públicos. Nem todos estão levando a sério o risco de falência do sistema.
          Não é raro encontrar alguém desperdiçando preciosos litros d’água. O desrespeito é maior nas áreas centrais. É onde os mais abastados insistem em pródigas limpezas de passeios, irrigações de plantas e jardins, lavagens de veículos e outras práticas que chegam a afrontar à comunidade.  Nesse rol estão condomínios, postos de combustíveis, lava-jatos, colégios (inclusive oficiais), mansões, casas e outros locais onde o líquido segue jorrando como se houvesse enchente.
          Mesmo sendo o Brasil um país privilegiado em termos de disponibilidade de água, a preservação desse recurso natural deve ser motivo de constante preocupação. Quando nada, em respeito aos muitos povos e regiões que dele carecem.
            O Velho Chico, o Rio Doce e tantos outros cursos d’água sofrem agressões que não conseguem reprimir de pronto. Não lhes faltam, entretanto, meios de reagir. E a reação é como o implacável castigo Divino: tarda, mas não falha. A prova está visível!

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domingo, 21 de setembro de 2014

FAZ DE CONTA

             Há muito, a situação econômica e financeira da Petrobrás vem se deteriorando.
          Seus resultados contábeis, ainda que positivos, se mostram sempre declinantes, quando comparados com os de exercícios passados.
            Segundo analistas, uma das principais explicações para isso seria o represamento de preços da gasolina e do diesel, praticado pelo governo, para evitar aumento da inflação.
            Outro responsável é o enorme e crescente endividamento da Petrobras – o maior entre as grandes petroleiras do mundo –, contraído para bancar pesado programa de investimentos. De acordo com as previsões, a dívida líquida da empresa deverá ultrapassar de US$ 100 bilhões, até 2018, situando-se bem cima do seu valor de mercado.
            São dados que, na verdade, mais interessam aos acionistas, os mais afetados pelo sobe e desce das ações da estatal. Mas não passam de perfumaria, se comparados a outros fatores que estão contribuindo para a derrocada da empresa.
            Na visão do povo, mero consumidor de uma das gasolinas mais caras do mundo, a corrupção e as falcatruas que ali se instalaram, nos últimos doze anos, são as grandes causadoras do desastre.
            Os questionamentos envolvendo a compra da Refinaria de Pasadena, a construção da Refinaria Abreu e Lima, aliados aos vergonhosos escândalos denunciados por Paulo Roberto Costa, ex-diretor da companhia, têm provocado imensa revolta popular.
 A essa altura, percebendo a inércia e até a complacência das autoridades, o cidadão se vê motivado a enfatizar sua indignação. E a melhor forma de fazê-lo é na manifestação de rua, tipo aquelas promovidas em junho do ano passado. Quando pacíficas e bem organizadas, costumam surtir efeito.
Foi o que pareceu estar acontecendo, no último dia 15, no Rio de Janeiro.
Dias antes, via internet e outros meios de comunicação, divulgou-se que o Rio seria palco de uma manifestação, com Lula, de grande importância para o futuro do país. Um ato político em defesa do pré-sal, da Petrobrás e do Brasil. A organização estava a cargo da CUT, outros sindicatos trabalhistas e movimentos sociais.
Conforme programado, a concentração iniciou-se por volta de 10 horas, na Cinelândia, de onde partiu, em passeata, rumo à sede da Petrobrás.
            Lula chegou em torno de meio-dia, acompanhado de Lindberg Farias (PT), candidato ao governo do Estado.
            Em seu sempre inflamado discurso, o ex-presidente disse: "Estou presente aqui porque, quando surgem algumas denúncias de corrupção contra a Petrobras, muitas pessoas começam a ter vergonha de vestir o uniforme da empresa e eu insisto em fazer isso. Não tenho vergonha desta camisa, que deve orgulhar os trabalhadores e o povo brasileiro pelo que a Petrobras significa para país”. 
            Qualquer mobilização em favor das grandes empresas brasileiras, estatais ou privadas, será sempre bem-vinda.
            A passeata carioca, entretanto, provocou um misto de estranheza e perplexidade. Não pelos motivos anunciados, mas pelo fato de a defesa da Petrobrás estar sendo feita, em tempo de eleições, justamente pela corrente política que vem sendo responsabilizada pelos desmandos acontecidos na empresa. Surrealismo tem limites!

- Jornal de Domingo
- Diário do Rio Doce

           



sábado, 13 de setembro de 2014

TUDO IGUAL

            Faltando três semanas para sua realização, a eleição presidencial deste ano mantém os sintomas de que será a mais disputada, desde a redemocratização do país.
            De início, parecia ser um pleito “mamão com açúcar”, em que a chapa Dilma Rousseff/Michel Temer nadaria de braçadas, com chances de se reeleger ainda no primeiro turno.
            Àquela altura, a polarização era entre o PT e o PSDB, de Aécio Neves/Aloísio Nunes, com nítida vantagem para os petistas. Na terceira colocação aparecia o PSB, de Eduardo Campos/Marina Silva, que nem de longe ameaçava.
            De um momento para outro, tudo mudou, e como mudou!
            A morte de Eduardo Campos foi a primeira e decisiva contribuição para o surgimento de um novo cenário. Literalmente, a tragédia caiu do céu, no colo de Marina Silva.  Até então simples coadjuvante, ela foi guindada à condição de candidata à Presidência, fazendo aflorar todo o seu patrimônio eleitoral. Já na primeira pesquisa em que foi avaliada como cabeça de chapa, ultrapassou Aécio e “colou no pé” de Dilma, se mostrando apta a alcançar e vencer o segundo turno.
            Pra consolidar a modificação de contexto, houve o agravamento do escândalo Petrobrás, depois da “entrega” feita pelo preso Paulo Roberto Costa, ex-diretor da estatal, a título de “delação premiada”. Apesar de praticamente focada em políticos e autoridades da base aliada ao governo, as denúncias envolveram o falecido Eduardo Campos, expondo Marina a incômodas  insinuações e cobranças.
            Pensou-se que isso favoreceria a Aécio, não citado no “Petrobrasgate”, pelo menos até agora. Ledo engano!  Por mais que se esforce, nem em Minas, seu reduto, o tucano está conseguindo liderar.
            Se isso contribuiu para acirrar a corrida em direção ao Palácio do Planalto, pouco ou nada ajudou em termos de elevar o nível da campanha.
           Melhor esquecer o medíocre Horário Eleitoral Gratuito, que, longe de estimular, serve apenas para agravar o desinteresse do eleitor para com o pleito.
            Imperdoável, entretanto, é a agressividade e a troca de ofensas que têm pautado o enfrentamento entre os três principais candidatos.
            Nos debates e nas entrevistas, nada de apresentar e discutir programas. Preferem se perder em acusações recíprocas e lavagem de roupa suja que nada contribuem para formar a opinião do eleitor. Parece até que os candidatos estão mais interessados na desconstrução de seus adversários do que na reconstrução do país.
            As últimas pesquisas demonstraram que, nesse ambiente de quebra-pau, a competição se estabilizou num empate técnico entre Dilma e Marina, permanecendo Aécio em terceiro lugar.
            Segundo os profetas apocalípticos, o panorama pode sofrer outras significativas alterações, diante de mais revelações comprometedoras que o “homem-bomba” da Petrobrás estaria propenso a fazer.
            Na verdade, essas acusações costumam abranger tanta gente, que acabam diluídas. No frigir dos ovos, sobra a desagradável constatação de que os políticos não se diferenciam, são farinha do mesmo saco. Que tristeza!

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domingo, 7 de setembro de 2014

BRASIL BRASILEIRO

            Nos enunciados da enciclopédia livre Wikipédia, "independência é a desassociação de um ser em relação a outro, do qual dependia ou era por ele dominado. É o estado de quem ou do que tem liberdade ou autonomia".
            É, sem dúvida, um grande triunfo. Mas não deve ser confundido com um ato perfeito e acabado, um troféu que se coloca na estante, para mera exibição. Bem refletido, é um processo que se forma lenta e gradualmente. Uma conquista que, para se consolidar, requer esforço, paciência, persistência e, sobretudo, disciplina e seriedade. Do contrário, o “valente” corre o risco de se transformar num “coitado”, que alcançou o livre-arbítrio, mas não detém a mínima condição de desfrutá-lo. Tipo aquele jovem arrojado, mas imprevidente, que se livra do comando dos pais e acaba submetido à autoridade do mundo.
           O Brasil não chega a tanto, mas parece que ainda está longe de alcançar a plenitude da independência proclamada em 07 de setembro de 1822.
            Conta a narrativa oficial que, naquela data, às margens do riacho Ipiranga, Dom Pedro de Alcântara de Bragança bradou "Independência ou Morte!", rompendo nossos laços com Portugal. Foi o grande momento da história nacional.
            O famoso “Grito do Ipiranga” libertou o Brasil do jugo português, porém não conseguiu livrá-lo de outras cangas que inibem a autonomia de seu povo.
            Independência pressupõe o desfrute de condições socioculturais condizentes com o pleno exercício da cidadania.
            Nesse quesito, o brasileiro permanece à espera de milagre.
            A educação, fundamental para a formação de mentes esclarecidas, capazes de agir com lucidez e autonomia, deixa muito a desejar, haja vista nossa pífia posição no ranking mundial. 
            Em termos de saúde, o quadro é dos mais lastimáveis. A insuficiência e o mau aparelhamento das unidades prestadoras de serviços oficiais, a falta de médicos e de medicamentos, o preço abusivo dos planos de saúde e a impossibilidade financeira de recorrer aos meios privados     são causas de muito sofrimento e incontáveis mortes. Cenário em que ninguém se sente liberto.
            Outro redutor de independência é a insegurança pública, que abre espaço para a absurda criminalidade registrada no país. Aqui, o número de mortos supera o contabilizado nas apavorantes guerras atuais. A violência urbana, alimentada por intenso tráfico de drogas e pelo desarmamento das pessoas de bem, invadiu as ruas, tolhendo a autonomia da sociedade. Os bandidos e o crime organizado subjugam mais do que os opressores do Brasil Colônia.
            Some-se a esses fatores a desbragada corrupção que há muito devasta o país. Mal que consome expressiva parte dos recursos que poderiam ser aplicados no saneamento dos males que comprometem a independência nacional.
            Nos 192 anos de emancipação que hoje são celebrados, o Brasil avançou, conquistou importantes vitórias e se impôs soberano no contexto internacional.
            Se perante os de fora essa independência é total, sobram razões para que também o seja no âmbito interno.
Tudo bem que o brasileiro é engajado no “ou ficar a Pátria livre ou morrer pelo Brasil”. Mas não precisa andar sempre no fio da navalha, entre o “Independência ou Morte!”.

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