domingo, 24 de julho de 2011

FIM DE COPA

          A Copa América se encerra hoje, com a mesma falta de brilho que marcou sua realização.
          Havia a expectativa de grandes jogos, mas o bom futebol não aconteceu. Apenas a partida em que o Uruguai eliminou a Argentina foi destaque.
          Dos três grandes favoritos, só o Uruguai justificou essa condição. Brasil e Argentina, mesmo com sua força máxima, tiveram desempenho medíocre e caíram nas quartas de final.  
          O jogo de hoje, entre Uruguai e Paraguai, poderá empolgar, mas não há por que apostar nisso.
          É visível o desequilíbrio entre as duas seleções, e o time paraguaio já considera de bom tamanho o que conseguiu até agora.
         Melhor ficar de olho no duelo entre as modelos paraguaias Larissa Riquelme e Patty Orue, que disputam a preferência da torcida e prometem “maravilhas” se sua seleção for a vencedora.
         Aos brasileiros restará o consolo de ver a partida apitada pelo conterrâneo Sálvio Spinola Fagundes Filho, filiado à Federação Paulista de Futebol.
         No balanço geral, entretanto, é preocupante a passividade e a indiferença com que foi aceito o mau desempenho da seleção canarinho no torneio. Poucos minutos após a partida, o indefectível Faustão já fazia esquecer as quatro penalidades absurdamente perdidas pelos nossos “craques”. Repeteco do que aconteceu em 2010, quando a “seledunga”, de triste memória, deixou a Copa do Mundo com a viola no saco.
         Parece que a torcida está perdendo a empolgação de outras épocas.
        Depois de sucessivas decepções, de assistir a tantas demonstrações de incompetência, a estrelismos e modismos que nada têm a ver com o futebol, o povo dá sinais de cansaço.
        O tempo dirá se esse é um processo natural ou se vem sendo propositalmente induzido, com vista à Copa de 2014.
       Consciente de que um insucesso, dentro de casa, provocaria reações incontroláveis, pode ser que a CBF esteja mais preocupada em preparar a torcida para uma nova frustração. Se for isso, Ricardo Teixeira e sua turma estão no caminho certo.

domingo, 17 de julho de 2011

OPINIÕES OPOSTAS

            Mostrando que está refeito do acidente sofrido em uma cavalgada, Aécio Neves retornou ao Senado, na última segunda-feira (11), disparando com artilharia pesada contra o governo federal.
            Na tribuna da Casa, disse que, independentemente das suas posições políticas, “a realidade nos convoca a constatar que em quase nada avançamos nestes primeiros seis meses de governo do PT”.
 Segundo ele, “... poucas vezes, na nossa História recente, um governo começou de forma tão desarticulada”.
            Após censurar o aparelhamento partidário da administração federal e a falta de uma agenda de trabalho, apontou para o alvo, dizendo que “o imobilismo, senhora presidente, só pode ser explicado por duas premissas: incompetência do planejamento administrativo e inapetência do Executivo para tocar o governo. Estamos institucionalizando no Brasil o improviso”.
            A opinião do senador tucano não bate com a dos políticos que participaram do coquetel que Dilma Rousseff ofereceu a parlamentares e ministros, na quarta-feira (13), para celebrar os resultados do seis primeiros meses de governo. Segundo a presidente, apesar das crises por que passou, “o governo está num bom momento”. Os convidados concordaram e aplaudiram.
            Pontos de vista diferentes fazem parte e tornam fascinante o regime democrático. Ideal seria, entretanto, que as opiniões fossem mais bem fundamentadas.
            Discursos não bastam, exigem fatos e exemplos que comprovem sua procedência.
            Dizer que as coisas estão ruins é tão vago quanto afirmar que tudo vai bem.
            Em meio a essa polarização, o povo fica pressionado entre a visão dos que querem recuperar e dos que não abrem mão do poder. O que tem sido o alicerce do jogo político, infelizmente!

domingo, 10 de julho de 2011

DE MAL A PIOR

            Aquilatar um mandato de quatro anos, em função do que aconteceu nos primeiros seis meses, é tão precipitado quanto avaliar uma equipe de futebol, pelo seu desempenho no começo da partida.
            O início é compreensivamente vagaroso, porque reservado ao reconhecimento do terreno, às mudanças e às adaptações que nem sempre são prontamente viáveis ou prudentes. Daí a necessidade de paciência e tolerância.
            Quando Dilma Rousseff assumiu o Palácio do Planalto, todos tinham conhecimento ou pelo menos faziam idéia dos problemas que iria enfrentar. Quem mais sabia, aliás, era a própria Presidente, ativa e íntima participante do governo anterior. Nem por isso a ela foi negada a tradicional carência dos cem dias, normalmente suficiente para que novos governantes “arrumem a casa” a seu modo.
            No princípio, tinha-se a impressão de que o país seria gerenciado de forma dinâmica, austera e transparente. Mesmo sem maior experiência política, Dilma chegou com a fama de competente administradora, capaz de grandes realizações. Rotulada de durona, inflexível e intransigente na cobrança de resultados, transformou-se na esperança de que grandes sonhos logo se tornariam realidade.
            Passados duzentos dias, quase nada aconteceu para justificar esse conceito.
            Pelo contrário, assessorada por uma equipe ministerial de discutível competência, a Presidente não tem conseguido sequer manter em dia o andamento de várias obras de responsabilidade do governo federal. Muitos projetos estão com o cronograma atrasado ou nem saíram do papel, inclusive alguns relacionados com a Copa/ 2014 e as Olimpíadas/2016.
            No campo político, a frustração popular nunca antes atingiu o nível em que se encontra. O país está assombrado com a quantidade de trapalhadas e bandalhices praticadas por políticos, ministros e outros graduados integrantes do governo. Mais perplexo, ainda, com a impunidade que se instala diante da cínica negativa de autoria a que sempre recorrem os contraventores de colarinho branco.
            Em meio a tantos escândalos, a Presidente não tem feito mais do que administrar as crises provocadas por gananciosos aliados e desonestos assessores.
            É cedo para um julgamento conclusivo, mas o que se vê até o momento desperta preocupação. Os sintomas são de que o governo não vai bem, com tendência de piorar.
            Dilma precisa ter cuidado, sob pena de transformar-se na primeira presidente quebra-galho, eleita com a missão precípua de segurar o trono para o retorno seu antecessor. Se chegar até lá!

domingo, 3 de julho de 2011

EXEMPLO DE GREGO

            Os últimos acontecimentos na Grécia devem deixar de sobreaviso não apenas os governantes dos países que formam a União Européia, mas os demais, em especial os autoritários.
            A greve geral e as violentas manifestações de protesto acontecidas em Atenas podem até ser entendidas como mais um dos muitos confrontos que naturalmente se repetem mundo a fora.
            Mas é interessante notar que a reação popular se deu contra o que o governo chamou de “medidas de austeridade”, necessárias para a salvação da pátria. Normal seria, pois, que fossem aplaudidas, não repudiadas por um povo bastante evoluído e sabedor das dificuldades em que se encontra o país.
            A questão, entretanto, não é desconhecimento, sim revolta em relação às causas dos problemas invocados e aos responsáveis por sua existência. O povo não quer continuar pagando pelos erros de seus governantes.
            Na última década, a Grécia gastou muito mais do que podia. Por isso teve que contrair vultosos empréstimos, deixando sua economia refém de crescente endividamento. As despesas públicas aumentaram assustadoramente e os salários do funcionalismo praticamente dobraram. Enquanto a gastança esvaziava os cofres públicos, a receita era afetada pela evasão de impostos.
            Esses desmandos produziram uma conta elevada, agora jogada no colo da população.
            Entre outras maldades, o “pacotão” prevê corte de pessoal e congelamento de salários no setor público, elevação de impostos, ampliação da idade para aposentadoria, aumento do preço da gasolina e privatizações. Só faltou criar a CPMF ..., por enquanto. Também não se cogita diminuir o número de deputados, reduzir proventos e mordomias dos altos escalões, nada que afete os interesses e conveniências dos cardeais do Poder. Exatamente como fazem os maus governantes mundiais.
Inspirados nesse arrocho, outros países da Zona do Euro tentam aviar a mesma receita. Em contrapartida, a firme reação do povo grego é exemplo do que poderá acontecer se os governantes agirem de forma egoísta e abusada. As soluções não negociadas têm mexido cada vez mais com os brios de gregos e troianos.   
            Na Grécia, berço da democracia e uma das bases da civilização européia, o confronto entre manifestantes e policiais parecia coisa de terceiro mundo.
            Fácil imaginar o que poderá acontecer quando os cidadãos de países menos desenvolvidos estiverem mais conscientes de que também podem – e devem – reagir às arbitrariedades do Estado. Só assim decisões mais justas e equilibradas emergirão entre as partes, entronizando o respeito mútuo e a democracia.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

DE IGUAL PARA IGUAL

              Foi muito bem recebido o projeto do vereador Darly Alves (PRTB) que concede incentivos às indústrias e prestadoras de serviço que queiram se instalar em Governador Valadares.
             A maioria dos estados e municípios brasileiros já faz concessões fiscais para atrair investimentos capazes de gerar empregos, aumentar receitas e promover o seu desenvolvimento sócio-econômico.             São isenções, reduções e diferimentos tributários utilizados como recurso para alavancar economias regionais.
             Em Minas, a prática vem sendo amplamente adotada, com bons resultados.
            Ainda recentemente, anunciou-se a instalação de uma metalúrgica chinesa em Pouso Alegre, graças a concessões feitas pelo município e pelo governo mineiro. A localidade receberá investimentos da ordem de R$ 330 milhões, geradores de 600 empregos diretos e cerca de cinco mil indiretos.
            Observador atento, Darly percebeu que Valadares não pode continuar à margem desse processo.
            Segundo ele, o governo estadual, que antes não participava, resolveu entrar na guerra fiscal, na busca de investidores. “Já que o governo de Minas está fazendo a parte dele para trazer investimentos, o município de Governador Valadares não pode ficar de fora”, disse ele à imprensa local. Por isso, o empenho em dar à cidade condições de concorrer de igual para igual com aquelas que já se utilizam da estratégia.
           Seu principal objetivo é gerar empregos para cerca de 160.000 valadarenses que estão à espera de oportunidade de trabalho, sem desconsiderar outras metas, inclusive o aumento das receitas públicas e privadas.
           Atendidos os parâmetros técnicos, quaisquer empreendimentos serão bem recebidos. Mas para cada benefício solicitado, o investidor se comprometerá a gerar um número mínimo de empregos.
          O projeto alcançará as empresas já existentes que se dispuserem a aumentar seus investimentos e o número de empregos oferecidos, nas condições definidas.
          Despido de vaidade, Darly faz questão de ressaltar que seu projeto é apolítico, voltado exclusivamente para os interesses da comunidade. Fato que certamente concorreu para que fosse unanimemente aprovado na Câmara Municipal.
          É grande, pois, a expectativa em torno de que seja sancionado pelo executivo municipal, para que logo comece a produzir os efeitos há muito esperados.  O povo agradecerá.

domingo, 19 de junho de 2011

SEGREDOS DO PODER

SEGREDOS DO PODER

            Quem acalentava a esperança de, em breve, ter acesso a informações e documentos que se encontram nas “caixas pretas” do Estado, pode sentar-se e esperar, com paciência.
            A abertura dos chamados arquivos secretos foi aprovada pela Câmara dos Deputados, mas empacou no Senado, graças à interferência dos senadores José Sarney e Fernando Collor. Logo eles que, na condição de ex-presidentes da República, deveriam se emprenhar na mais breve tramitação da matéria. Ao contrário, sob o pretexto de resguardar a soberania e segurança do país, defendem "proteção eterna sobre a informação secreta e confidencial do Governo".
            Da dupla não se poderia esperar outra coisa.
            De memória recente, vale lembrar como Sarney procedeu quando foi acusado de autorizar atos secretos na Mesa Diretora do Senado para uma série de contratações, inclusive de parentes. Valendo-se de seu prestígio político, negou, sofismou, arvorou-se defensor da democracia, afirmou ter prestado “muitos serviços ao país” e ... ficou o dito pelo não dito; nada lhe aconteceu. Em seguida, depois de classificar o impeachment de Collor como um “acidente da História”, tentou excluir esse episódio do painel do Túnel do Tempo do Senado. Só voltou atrás sob forte pressão da opinião pública.
            Quanto a Fernando Collor, as razões de sua cassação tornam compreensivo seu esforço para que  atos de  governo sejam mantidos sob sigilo. Em se tratando dele, nada é surpresa.
            Refletindo o descontentamento popular, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Ophir Cavalcanti, rebateu as alegações de Sarney de que “o fim do sigilo eterno pode abrir feridas”. Disse que “a história precisa ser conhecida e não tenho dúvidas de que quem perderá com isso tudo será a cidadania desse país, que terá vetada a possibilidade de acessar a sua história”.
            O próprio Lula, autor do projeto de lei que contempla a matéria, sem receio de contrariar o governo, reafirmou que “o público tem o direito de saber o que aconteceu nos bastidores dos governos, com ressalvas apenas para as questões de soberania do país”.
            Essa decisão, pelo visto, ficará no “vinagrete”. Até porque o Senado já foi chamado a votar a Medida Provisória que autoriza sejam mantidos em segredo os orçamentos prévios para as obras da Copa do Mundo de 2014 e da Olimpíada de 2016.
            A opinião pública é contrária, mas as empreiteiras aplaudem a idéia. Sarney e Collor ainda coçam a cabeça. Diante dos antecedentes, é melhor não os perder de vista!

domingo, 12 de junho de 2011

MAIORIAS DESCOMPROMETIDAS

            No final do ano passado, uma vergonhosa maioria de deputados e senadores aprovou robusto aumento dos próprios salários. Como se não bastasse, estendeu a bondade aos ministros, vice-presidente e presidente da República, quando o povo entendia que todos já ganhavam mais do que mereciam.
            Sobreveio a votação do reajuste do salário mínimo. Novamente a maioria prevaleceu e o percentual votado pelo Congresso ficou abaixo do que pretendia a grande massa de trabalhadores.
            Episódio recente, ainda por conchavo de maioria, o ex-ministro Antonio Palocci deixou de ser convocado para explicar no Congresso a surpreendente elevação de seu patrimônio. A mesma maioria que tem impedido a instalação de CPI destinada a apurar esse anômalo milagre. Em ambos os casos, a opinião pública foi e permanece desconsiderada.
            Embora desejável, não se pode exigir absoluta sintonia entre os anseios populares e as decisões adotadas pelas maiorias que se alojam nos Três Poderes da nação. Compreende-se que nem todas as vontades possam ser satisfeitas.
            Mas o que deveria ser exceção se tornou habitual. O povo tem sido frequentemente contrariado, como se seus apelos fossem sempre descabidos. As maiorias deixaram de brigar pelas causas públicas, para se formar em torno de interesses próprios ou corporativos, nem sempre legítimos.
            O pior é que esses grupos, além de desagradar à população, costumam criar sérios problemas para o país.           
            Veja-se, por exemplo, o caso do ex-ativista italiano de extrema esquerda, Cesare Battisti. Mesmo sob princípios legais, o Supremo Tribunal Federal (STF) bateu de frente com boa parte da opinião pública. Por decisão da maioria de seus ministros, posicionou-se contra a sua extradição para a Itália e a favor de que fosse colocado em liberdade.
            A deliberação poderá abalar as relações entre Brasil e Itália, se é que isso não já aconteceu.
            Basta ver a reação da ministra italiana da Juventude, Giorgia Meloni, segundo a qual "A decisão da Justiça brasileira constitui um tapa nas instituições italianas e um ato indigno de uma Nação civilizada e democrática".
            Ainda está atravessada na garganta do brasileiro a afirmação de que “o Brasil não é um país sério”, feita pelo general Charles De Gaulle.  Agora, teremos que engolir nova humilhação.        
            E as coisas tendem a piorar, se as decisões majoritárias continuarem não refletindo o pensamento e as aspirações da sociedade.