sexta-feira, 13 de abril de 2018

LARGADA PARA AS URNAS

Por Etelmar Loureiro

                Se já não era límpido, o horizonte político-eleitoral se tornou bem mais nebuloso, com a prisão de Lula e a possibilidade de ele não participar do próximo pleito.
            Bem verdade que a saga judicial do ex-presidente ainda pode render muitos capítulos. Seus habilidosos e competentes advogados se utilizam de todos os recursos para livrá-lo das grades. Esperam contar até mesmo com a decisiva ajuda do Supremo Tribunal Federal, onde não faltam ministros interessados em acabar com as prisões de condenados em segunda instância.
Mas o Partido dos Trabalhadores garante que, de uma forma ou de outra, seu maior líder estará no páreo. Nas palavras do vice-presidente da legenda, Alexandre Padilha, não será o PT que vai retirar Lula das eleições. “A lei estabelece que em agosto são registradas as candidaturas. O nome de Lula estará lá. Vamos seguir a lei, e caberá ao TSE avaliar esse registro. Lula continuará a ser nosso candidato, preso ou não”.
Por sua vez, a senadora Gleisi Hoffmann, presidente da sigla, não se cansa de repetir que "o PT não tem plano “B”. Lula é e será nosso candidato. O candidato do povo brasileiro”. Falta dizer, entretanto, que o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, a deputada estadual Manuela D’Ávila (PCdoB) e o líder do MTST, Guilherme Boulos, são mantidos no banco de reservas, em aquecimento.
            Nas outras raias da competição, entre certos e incertos, se acumulam mais de 20 nomes.  O mais cotado tem sido Jair Bolsonaro (PSL), segundo colocado nas pesquisas de intenção de voto.  Os demais podem até surpreender, mas ainda não merecem destaque.
            A grande dúvida gira em torno da participação de Michel Temer, que muitos acreditam já ter decidido pela candidatura, mas se finge de morto, para ver quem vem ao enterro. Certo é que ele precisa se reeleger, ou, quando nada, fazer um sucessor que, de alguma forma, lhe assegure mais quatro anos de foro privilegiado.  Tarefa difícil para um campeão de impopularidade.
            Também em Minas Gerais muitos se apresentam como pré-candidatos ao governo do Estado. Até agora, as preferências giram em torno de Fernando Pimentel (PT), Rodrigo Pacheco (DEM), Dinis Pinheiro (PP) e Márcio Lacerda (PSB), não necessariamente nessa ordem. O senador Antonio Anastasia acaba de entrar no páreo, graças a muita pressão do PSDB e de políticos que o apoiam. Sua presença certamente implicará substanciais mudanças no ranking eleitoral.
            Nos últimos dias, o que mais agitou o cenário político mineiro foi a intenção de Dilma Rousseff concorrer ao Senado, por Minas. A decisão foi recebida com grande entusiasmo pelas lideranças petistas estaduais, e tem a bênção de Lula. No lado oposto, o deputado federal mineiro Marcelo Aro (PHS-MG) disse que o fato “é melancólico”.  Segundo ele, “espertos, os gaúchos não quiseram se associar ao que restou do PT. Ela (Dilma) foi descartada pelos próprios companheiros do partido no Rio Grande do Sul. É deprimente e assustador que o PT mineiro tenha achado que nosso Estado é lugar de receber esse fardo”.
            A corrida eleitoral está no seu início. Até o momento, tem sido mínimo o entusiasmo popular em relação ao pleito. A reversão desse quadro dependerá de que os candidatos demonstrem caráter, credibilidade e disposição para não repetir os erros e dolos cometidos pelos políticos atuais. Só assim o eleitor se sentirá motivado a mostrar nas urnas qual é “o Brasil que eu quero”. Sem necessitar de “selfie”!

- Diário do Rio Doce - 12.04.2018

quinta-feira, 29 de março de 2018

DOIS MARCOS VALADARENSES

Por Etelmar Loureiro

            Muitos são os fatores que contribuem para sedimentar o prestígio de uma cidade, e assim projetá-la além de suas fronteiras.  Podem ser pontos paisagísticos, turísticos, aspectos climáticos, estilos de vida, práticas esportivas, monumentos, edificações, hospitais, escolas e outras particularidades atraentes.
            A Torre Eiffel é um sinônimo de Paris, da mesma forma que a Estátua da Liberdade representa Nova York e o Coliseu identifica Roma. O Cristo Redentor simboliza o Rio de Janeiro, tanto quanto o Monumento às Bandeiras lembra São Paulo. A situação não é diferente em Minas Gerais, onde os colégios Arnaldo, Loyola e Santo Agostinho são representativos de Belo Horizonte, tal qual o Mineirão. No interior do estado, a cidade de Viçosa se notabilizou por abrigar a célebre Universidade Federal que leva seu nome.
            O poder de influência dessas atrações se consolida com o passar dos anos, à medida que suas características e resultados vão adquirindo maior visibilidade. Quanto mais antiga a cidade, maior é o seu acervo de marcos dessa natureza.
            Embora relativamente jovem, Governador Valadares já consegue ser distinguida por alguns dotes intrínsecos. O maior deles é, sem dúvida, a Ibituruna, essa imensa pedra negra internacionalmente conhecida, não apenas por sua beleza, mas por ter conquistado para a cidade a fama de Capital Mundial do Voo Livre. A localidade também se distingue pelo clima quente, pela beleza do Rio Doce, pela excelência dos serviços profissionais que oferece, pelo seu comércio ativo e diversificado, afora uma hospitalidade que a todos cativa.
            A também chamada capital do Vale do Rio Doce já consegue agregar às suas características a condição de grande e importante centro educacional. Possui inúmeras e boas escolas, de todos os níveis, duas das quais estão contabilizando, neste ano, várias décadas de primorosos serviços prestados.    
            Fundado em 1938, ano em que a cidade conquistava sua emancipação política, o Ginásio Ibituruna, veio suprir uma enorme carência das famílias locais, cujos filhos, para estudar, precisavam deslocar-se para outros centros. Os irmãos Wenceslau e Ladislau Salles foram seus criadores.  O hoje Colégio Ibituruna chega aos 80 anos de atividade, gozando de excelente conceito. .
            Outra celebração está por conta da Faculdade de Direito Vale do Rio Doce (Fadivale), que alcança meio século de existência. Entre seus fundadores e os primeiros professores, se combinam figuras notáveis, assim como o Coronel Altino Machado d’Oliveira, o promotor de Justiça Edgard Fontes de Rezende, os juízes de Direito Fulgêncio Pimenta Figueiredo e Joaquim Assis Martins Costa, o jurista Siva Monteiro de Castro, além do então prefeito Hermírio Gomes da Silva, todos de saudosa memória. Esbanjando saúde e vitalidade, permanecem ativos os advogados Alcyr Nascimento, atual diretor da instituição, e Ary Constante Soares, no seu escritório particular.
            Pelos bancos de ambas as instituições, passaram inúmeras gerações de estudantes que, agora profissionais, fazem sucesso no Brasil e mundo afora.
            Tornar-se referência de uma cidade não se consegue apenas graças à estampa e à magnitude dos que galgam essa condição. É proeza que também requer alto nível de competência, qualidade e seriedade no que se faz. O Colégio Ibituruna e a Fadivale preenchem com louvor tais requisitos. Ambos merecem o reconhecimento, o aplauso e a gratidão não apenas dos valadarenses, mas de todos os que se beneficiaram e dos que agora usufruem de seus ensinamentos.

- Diário do Rio Doce

quinta-feira, 15 de março de 2018

EM DEFESA DAS ARMAS DE DEFESA


Por Etelmar Loureiro
           
Imaginemos uma família, de férias, hospedada numa casa de campo, em área mais retirada. Certa noite, todos dormindo, a mulher acorda, com um barulho vindo da varanda dos fundos. Levanta-se, olha por uma fresta da janela, e identifica dois indivíduos, tentando abrir a porta de entrada. Na residência estão o casal e duas filhas menores. Assustada, ela cuidadosamente desperta o marido, e relata o que viu. Ele logo se levanta, confirma os fatos, coça a cabeça, e começa a pensar em como agir. Sabe que o risco é grande, iminente, e exige atitude rápida. Ligar para o 190 não resolveria; na redondeza inexiste Polícia Militar. O vizinho mais próximo não tem telefone. Gritar seria inútil; ninguém ouviria. Aflita e desorientada, a mulher sugere que ele pegue o revólver e dê uns tiros para o alto, na tentativa de expulsar os assaltantes. É quando se dão conta de que não mais possuem armas em casa; tê-las é proibido. E agora, José?!
            Essa é apenas uma das muitas contingências que têm provocado a reprovação do Estatuto do Desarmamento, sancionado pelo então presidente Lula, em 2003.
            No clima de insegurança e violência urbanas reinante no país, haja vista o que acontece no Rio de Janeiro, a grande maioria dos brasileiros tem se manifestado favorável a que seja facilitado o acesso às armas de fogo.
            Sob análise no Congresso Nacional existem vários projetos de lei, nesse sentido.  O que mais se aproxima de decisão pertence ao deputado Rogério Peninha Mendonça (PMDB-SC). Propondo flexibilizar as regras em vigor, entre outras mudanças, ele garante a todos os cidadãos o direito de possuir arma de fogo, sem precisar comprovar a necessidade de uso, sob as condições legais. Há previsão de que a matéria seja brevemente colocada em pauta, durante a votação de uma agenda prioritária na área de segurança pública, prometida pelo presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ).
            Em 2005, os brasileiros foram chamados a opinar sobre a manutenção ou suspensão do comércio de armas. Quase 64% dos votantes optaram pela primeira hipótese. Derrotado nas urnas, o governo federal impôs uma legislação tão complexa, que praticamente inviabilizou a aquisição de uma arma, pelo cidadão comum.
            Se a intenção era reduzir a criminalidade e poupar vidas, o tiro saiu pela culatra. As estatísticas mostram que, desde então, a quantidade de homicídios aumentou em cerca de 20%, ultrapassando a marca de 60 mil assassinatos anuais.
            Nesse contexto, o cidadão de bem vem lutando por igualdade de direitos, ou seja, os de possuir e usar, em defesa própria, de sua família e de sua propriedade, armas semelhantes às que os bandidos utilizam para ferir ou matar.
            Nas mãos de um delinquente, de um doente mental, de alguém acometido de súbito transtorno físico ou emocional, um revólver pode de fato tornar-se utensílio arrasador.  De qualquer forma, é melhor tê-lo e não precisar usar, do que precisar usar e não tê-lo.
Também é bom lembrar que, entre outros, carros e cigarros são artigos igualmente mortais. Nem por isso já se cogitou proibir que fossem fabricados, comercializados e utilizados. A ganância tributária talvez explique isso.  
            Há um consenso de que “armas não matam pessoas; pessoas matam pessoas”. Consagrou-se, também, que “a legítima defesa é um direito do ser humano, e não um favor do Estado”.
            A essa altura, vem a calhar a reflexão de Thomas Jefferson, segundo a qual “as leis que proíbem o porte de armas desarmam apenas aqueles não são inclinados nem determinados a cometer crimes”. Que isso repercuta na consciência dos nossos legisladores!

- Diário do Rio Doce - 15.03.2018
                 

quinta-feira, 1 de março de 2018

INTERVENÇÃO POR TEMPO CERTO

Por Etelmar Loureiro

            Entre aplausos e apupos, está em vigor a intervenção federal no Rio de Janeiro.
            A implementação da medida tem sido alvo de diferentes julgamentos. Um dos mais polêmicos insinua que ela teria sido a saída honrosa imaginada pelo governo, para sepultar uma controversa reforma da Previdência que, já se sabia, não seria aprovada pela Câmara. Outra visão é a de que, acalentando o sonho de fazer seu sucessor, ou até mesmo de “suceder a si próprio”, Michel Temer teria desistido da austera agenda reformista, com a qual se dizia comprometido, em favor de ações mais populares, capazes de render votos a ele e ao seu partido. Nesse particular, teria sido convencido de que uma iniciativa rotulada de combate à criminalidade poderia surtir bom resultado.
            Conjeturas à parte, essa intervenção traz consequências que, se não invalidam a sua conveniência, tornam, quando nada, discutível a sua oportunidade. A pior de todas é paralisar o trâmite de mais de 1.100 propostas de emenda à Constituição, que se encontram no Congresso Nacional.
Só no Senado, estão perto de 550 PECs, algumas prontas para serem incluídas na ordem do dia, para votação no Plenário.  Entre essas, por irônica coincidência, a que proíbe o contingenciamento de recursos destinados ao Fundo de Segurança Pública, que já estava na pauta do último dia 20.
Nesse rol, também figuram a proposição que atribui à União a responsabilidade pelo financiamento da educação básica pública; a que cria a possibilidade de apresentação de candidaturas a cargo eletivo sem a obrigatoriedade de filiação partidária — as chamadas candidaturas avulsas ou independentes; a que proíbe a cobrança de impostos sobre medicamentos de uso humano; e a que reduz o número de deputados federais de 513 para 386, e de senadores, de três para dois por unidade da federação, afora outras de grande importância.
Mais lamentável, entretanto, é a solução de continuidade imposta à PEC que restringe o “foro privilegiado”, instituto que atualmente favorece em torno de 55 mil autoridades brasileiras. Em meio a elas, o presidente da República e seu vice, governadores, ministros de estado e de tribunais superiores, senadores, deputados federais e estaduais, prefeitos, juízes, membros do Ministério público e mais “gente fina”. Com o trancamento imposto pela intervenção, resta a esperança de que uma rápida decisão venha do Supremo Tribunal Federal, onde o assunto é contemplado em processo que desde novembro está “sob vistas” do ministro Dias Toffoli
Ainda que bem intencionada, a intervenção na segurança pública do Rio implica efeitos colaterais sugestivos de que a medida também leva em conta uma boa dose de interesses políticos do governo e das forças dominantes.
Por outro lado, a opinião pública, leiga no assunto, não está conseguindo entender a fixação de prazo para combater um inimigo enraizado, astucioso, modernamente aparelhado, que não tem o menor compromisso com o cronograma oficial. O próprio comandante do Exército, general Eduardo Villas Bôas, afirmou que o período de nove meses “é insuficiente para que se possa atingir com profundidade as causas que levaram a esse estado de coisas”. O mais provável é isso facilitar a vida do adversário, que, conhecendo o tempo da ação militar, poderá programar férias, fazer cursos de aperfeiçoamento, prestar serviços comunitários, simplesmente se refugiar, ou agir em outras paróquias, até a data estabelecida para o “bye bye” dos seus combatentes.
“Consummatum est”, resta torcer pelo êxito da operação, e para que seus resultados sejam medidos pelos avanços sociais alcançados, e não pela quantidade de cruzes erguidas ao longo da jornada.

segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

TUDO NOS TRINQUES

Por Etelmar Loureiro

              A cidade e a mulher possuem algumas características comuns. Ambas têm seus encantos, seus dilemas e suas crises. Gostam de bom tratamento, de dedicação e carinho, de se sentir belas e sedutoras, de conquistar espaços e de atrair parceiros de qualidade, sobretudo os dispostos a gastar e investir.
Apostam nos filhos, e, gratificadas, ficam orgulhosas das vitórias por eles conquistadas. Fazem projetos auspiciosos e acalentam sonhos de crescimento. Têm um coração pulsante, alimentado pela confiança no futuro.
         O célebre Moraes Moreira, em uma de suas aplaudidas composições, reconheceu que “a mulher e a cidade / representam para mim / amor e liberdade. / A cidade é uma moça / também não tem idade. / É o espírito, a força da mocidade”. 
          Parecidas em muitos aspectos, uma e outra se distanciam no modo de refletir a ação do tempo.
          Despercebido enquanto ela é jovem, o amadurecimento acaba se tornando algoz da mulher. Faz encolher suas energias, inibe-lhe o ânimo, modifica sua beleza externa, antes de tirá-la de cena. Roteiro próprio dos viventes.
            Para a cidade, ao contrário, o passar dos anos costuma ter efeito remoçante e inovador. Abre novos horizontes, induz crescimento, progresso, consagra usos e costumes, ou revela outras vocações. Para o bem ou para o mal, em algum sentido a cidade vai em frente; dificilmente retrocede. 
            Quem há muitos anos acompanha a evolução de Governador Valadares percebe o quanto o aumento da idade lhe tem sido saudável e benéfico. Resultados positivos são inegáveis.
           Desde a emancipação política, em 30/01/1938, sua história registra constantes avanços, de maior ou menor intensidade. Transformou-se no polo econômico regional, com larga influência sobre o leste e o nordeste mineiros, alcançando algumas áreas do Espírito Santo.
Mesmo sem céu de brigadeiro, sempre há teto e coragem para voar.
A cidade vem acumulando importantes conquistas; a Universidade Federal foi uma delas. A inclusão do município na área de atuação da Sudene, se afinal consumada, poderá representar outro grande passo rumo ao desenvolvimento. O Hospital Regional, em fase de construção, contribuirá para consolidar a excelência dos recursos médicos locais. Enquanto isso, o comércio, a construção civil e outros ramos da atividade privada se juntam às ações institucionais, para sustentar bons índices econômicos. E não seria absurdo apostar em dias melhores, assim que se tornarem realidade a modernização do Aeroporto Coronel Altino Machado e a duplicação da BR-381. Isso sem falar na sempre sonhada e muitas vezes prometida extensão de um gasoduto até Valadares.
A localização estratégica, o perfil geográfico, a tranquilidade político-social, a boa estrutura urbana, a estabilidade econômica e a visão empreendedora de suas lideranças são qualidades que explicam esse cenário.
Como toda cidade e toda mulher, Valadares requer manutenção periódica. Um retoque na maquiagem, um “reaperto” no esqueleto, um check-up, uma limpeza de pele, uma tintura de cabelos são imprescindíveis, saudáveis e fazem parte da rotina e da vaidade. 
           A eterna "Princesa do Vale" acaba de chegar aos 80 anos, sem demonstrar necessidade de uma grande recauchutagem. Nada de silicones, lipoaspirações ou bariátrica; “tá tudo nos trinques”! Quando muito, um “peeling”, ou um botox, aqui ou acolá.
            Sob uma administração municipal dedicada e merecedora de confiança, que recriou expectativas em torno de um futuro mais promissor, a cidade vive momentos de indisfarçável otimismo. 
        Bonita e cativante, apenas lhe faltam mais pretendentes de visão, que tenham dote, disposição e seriedade para investir no seu potencial.
Dispensados, com certeza, os príncipes encantados que proporcionam uma maravilhosa noite de Cinderela, seguida de frustrante vida de Gata Borralheira. De “malas”, oportunistas e enganadores, Valadares já se cansou.

- Diário do Rio Doce - 01.02.2018
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CULPAS DIVIDIDAS

Por Etelmar Loureiro
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            Certos temas são maçantes, desagradáveis, indesejáveis, mas inevitáveis. Recorrentes por natureza, estão sempre na ordem do dia, “esquentando” todos os noticiários. É o caso dos acidentes de trânsito.
Em maior ou menor dimensão, eles acontecem diariamente. Entretanto, é nas épocas festivas, presumidamente mais alegres, que as tragédias se multiplicam, desmanchando prazeres e enlutando famílias e comunidades. A explicação estaria no fato de serem períodos que envolvem muitas mobilizações e longas caminhadas, em busca de entretenimento e confraternizações.
            Durante a recente temporada de Natal e réveillon, aconteceram nas estradas federais perto de 2,4 mil acidentes, com cerca de 440 mortos e mais de 2.300 feridos. O balanço apresentado pela Polícia Rodoviária Federal mostra que as ocorrências diminuíram, em comparação com o ano anterior. Ainda assim, são números assombrosos e inaceitáveis, superiores aos contabilizados em muitos casos de epidemias, tragédias ambientais e conflitos armados. Não merecem celebração.
            Dividindo espaço com aqueles festejos, existem as férias, que neste ano se prolongarão até pelo menos meados de fevereiro, após o término do Carnaval.
            A corrida à procura de repouso e prazer aumenta a circulação nas estradas e eleva a reunião de pessoas nas praias, nas estâncias hidrominerais e em outros pontos turísticos. É quando o bicho costuma pegar, pra valer.
          O fluxo de veículos cresce consideravelmente, e as pistas são tomadas por motoristas que dirigem muito bem nas ruas e avenidas urbanas, mas são inexperientes nas rodovias. As consequências costumam ser diabólicas.
Some-se a isso o maior consumo de bebidas alcoólicas e outras drogas, além de imprudências ao volante, ingredientes perfeitos para finais melancólicos.
As autoridades procuram ser criteriosas na análise desse cenário, apontando com precisão as causas das tragédias. Chegam a discriminar o percentual de cada uma. De modo geral, elas se dividem entre ultrapassagens irregulares (campeãs absolutas), excesso de velocidade e direção após o consumo de álcool.
Não se vê, entretanto, qualquer estatística oficial dando conta do percentual de acidentes causados pelas estradas obsoletas, esburacadas, mal sinalizadas, sem adequada fiscalização e congestionadas por uma frota de veículos que cresce descontroladamente, afora outras deficiências que cabe ao poder público sanar. Na quase totalidade dos desastres, a culpa recai sobre um determinado motorista, acusado de excesso de velocidade, ultrapassagem em local proibido, embriaguez ao volante e outras loucuras.
Sem intenção de defender os infratores motorizados, é tempo de compartilhar responsabilidades. Não é possível que as autoridades responsáveis pela boa qualidade das estradas, independentemente dos cargos que ocupem, permaneçam isentas das punições aplicáveis aos cidadãos comuns, quando elas não fazem a sua parte. Em tais circunstâncias, tanto quanto os demais infratores das leis, esses agentes públicos são criminosos que merecem ser duramente punidos, por omissão, negligência, indiferença e desrespeito à vida.
A estação do lazer está em curso. O Carnaval bate às portas. Viagens de ida e vinda estarão ocorrendo a todo o momento, chova ou faça sol. 
           Tudo faz crer que o “salve-se quem puder” continuará sendo a lei maior.
 Fatalidades são incontroláveis, mas há formas de tentar evitá-las, ou de,  quando nada, minimizar suas consequências. Uma delas é conscientizar-se de que o risco existe, e não é pequeno. Fuja dele; o ganho será seu!

- Diário do Rio Doce - 18.01.2018




quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

INTERMINÁVEL FIM DE ANO

Por Etelmar Loureiro

            Terminados os agitos do Natal e do “réveillon”, o desafio passa a ser acomodar na agenda tudo o que está programado para o “restinho” de 2018.
            De cara, Governador Valadares estará às voltas com o aniversário da cidade, 30/01. Cairá numa terça-feira, com toda pinta de ser o primeiro feriadão do ano.
            Até 13 de fevereiro, não tem pra ninguém; Momo já reina absoluto. O espírito carnavalesco que habita a alma do povo brasileiro se sobrepõe a qualquer outro chamamento.  Nada consegue desviar a concentração dos foliões, exceto – claro! – a fatura do cartão de crédito, engordada pelas compras de fim de ano, e os gastos com IPTU, IPVA, matrículas e materiais escolares, inevitáveis nesta época.
            Quando o pessoal começar a se recompor da refrega carnavalesca, virá a Semana Santa, nova pausa para descanso de pelo menos três dias. Chance de outra esticada às áreas de lazer, em busca de bronzeado e forças para enfrentar o feriadão que virá logo a seguir. Para a “tristeza” geral, o Dia do Trabalhador, 01/05, também será uma terça-feira, e, como de praxe, deverá ser engordado pelos três dias que o antecederão.
Os que perderem essa “boca” não precisarão ficar tristes. O “Corpus Christi” virá no final de junho, e, pra variar, será celebrado numa quinta-feira, com certeza de “espichamento”.
Bafejado pela sorte, o valadarense terá, ainda, de lambuja, numa plena quarta-feira, o feriado de 13/06, dedicado a Santo Antônio, o seu padroeiro.
             A essa altura, o Brasil já estará vestido de verde e amarelo. Todas as antenas estarão voltadas para a Rússia, onde, em 14.06, se iniciará a Copa do Mundo, envolvendo jogos quase todos imperdíveis. Nos 30 dias seguintes, ninguém pensará noutra coisa, senão em futebol.
            Além de incluir partidas do Mundial, julho é época de férias escolares, que sempre acarretam mais viagens e outras induções ao relax.
            Quando setembro vier, haja coração!  Afora as festividades alusivas à Semana da Pátria – e o 07/09 será uma sexta-feira!!! –, o brasileiro estará convivendo com a reta final da campanha política.
            As eleições para presidente, governadores, senadores, deputados federais, estaduais e distritais (estes só em Brasília) acontecerão no início de outubro (07), e tudo leva a crer que a disputa será ferrenha.
            Se necessário, o segundo turno está previsto para 28/10, na base do salve-se quem puder. Será “briga de cachorro grande”.
            Num piscar de olhos, novembro e dezembro estarão de volta. Abre-se nova temporada de luzes coloridas, vitrines, ruas e árvores iluminadas, Papai Noel, “jingle Bells”, perus, leitoas, frutas de época, panetones, champanhes e show de Roberto Carlos. Tudo na base do “vale a pena ver (e consumir) de novo”.
            Nesse ponto, quem até então nada fez, dificilmente fará alguma coisa; “Inês estará morta”! Outra folhinha irá para a lixeira, sem direito a prorrogação.
            O calendário oficial deste ano contempla 14 datas comemorativas, entre feriados nacionais e pontos facultativos.
            Muitos consideram essa quantidade excessiva, responsabilizando-a por prejuízos econômicos. Entretanto, em comparação com Estados Unidos, Canadá, França e outros grandes países, a análise não se sustenta. Quanto a isso, estamos bem próximos deles, que nada reclamam.
            O detalhe é que, em várias dessas nações, os feriados móveis são transferidos para segunda ou sexta-feira, como forma de evitar os “enforcamentos”. O Brasil quer fazer o mesmo, mas depende da aprovação de projeto de lei que tramita no Congresso Nacional.
            Até então, o 1º de janeiro continuará sendo apenas o começo de um novo epílogo.
Melhor para os que se mantêm no “clima”, e só descansam nos finais do ano. Curtem eterna malandragem!


- Diário do Rio Doce – 04.01.2018I